segunda-feira, 18 de junho de 2012

Comparação das poesias “Lembrança de morrer” e “O poeta moribundo”

Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!


O Poeta Moribundo

Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!
Façam dela uma corda, e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!

Cantem esse verso que me alentava...
O aroma dos currais, o bezerrinho,
As aves que na sombra suspiravam,
E os sapos que cantavam no caminho!

Coração, por que tremes? Se esta lira
Nas minhas mãos sem força desafina,
Enquanto ao cemitério não te levam
Casa no marimbau a alma divina!

Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia . . .
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.

Coração, por que tremes? Vejo a morte
Ali vem lazarenta e desdentada. ..
Que noiva!. . . E devo então dormir com ela?. ..
Se ela ao menos dormisse mascarada!

Que ruínas! que amor petrificado!
Tão antediluviano e gigantesco!
Ora, façam idéia que ternuras
Terá essa lagarta posta ao fresco!

Antes mil vezes que dormir com ela,
Que dessa fúria o gozo, amor eterno. . .
Se ali não há também amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro Inferno!

No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!

Se é verdade que os homens gozadores,
Amigos de no vinho ter consolos,
Foram com Satanás fazer colônia,
Antes lá que no Céu sofrer os tolos!-

Ora! e forcem um'alma qual a minha
Que no altar sacrifica ao Deus-Preguiça
A cantar ladainha eternamente
E por mil anos ajudar a Missa!



Comparação
Nos dois poemas, Álvares de Azevedo expressa o seus sentimentos e pensamentos em relação a morte. Ele vê a morte como algo bom, pois ele deixaria tédio da vida, mas em "Lembranças de morrer" ele pensa nas pessoas em que deixaria e nos seus amores que ficariam na terra e em "O poeta moribundo" ele pensa que poderia encontrar os seus amores após a morte.

Ideias Intimas

Fala sobre paixões durante aquela época, com todos os problemas sócio-históricos.O tempo vai se passando e segundo ele: "O romantismo se descuida.".O eu-lírico começa a sonhar inúmeras vezes com uma donzela, ele sonha muito, mas seus sonhos não se realizam, e ele se entristece pois fica a espera de uma donzela que nunca aparece.

Dupla: Alice Schramm e Sarah Lorena
O poeta moribundo


Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!


Cantem esse verão que me alentava...
O aroma dos currais, o bezerrinho,
As aves que na sombra suspiravam,
E os sapos que cantavam no caminho!


Coração, por que tremes? Se esta lira
Nas minhas mãos sem força desafina,
Enquanto ao cemitério não te levam,
Casa no marimbau a alma divina!


Eu morro qual nas mãos da cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.


Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!


Que ruínas! que amor petrificado!
Tão antideluviano e gigantesco!
Ora, façam idéia que ternuras
Terá essa lagarta posta ao fresco!


Antes mil vezes que dormir com ela.
Que dessa fúria o gozo, amor eterno
Se ali não há também amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro inferno!


No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!


Se é verdade que os homens gozadores,
Amigos de no vinho ter consolos,
Foram com Satanás fazer colônia,
Antes lá que no Céu sofrer os tolos!


Ora! e forcem um'alma qual a minha,
Que no altar sacrifica ao Deus-Preguiça,
A cantar ladainha eternamente
E por mil anos ajudar a Missa!



Lembrança de morrer



Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.


E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.


Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;


Como o desterro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.


Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!


De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.


Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!


Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.


Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo....
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!


Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nelas
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—


Sombras do vale, noites da montanha
Que minh'alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!


Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa!



O primeiro mostra uma forma mais sentimental e romântico de falar de sua propria morte, mas a outra se mostrou muito crítica de com ironia, criticando o lado religioso da pessoa.


Dupla: Sarah Lorena e Alice Schramm
Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Junqueira Freire:
Primaveras (1859)
Teatro

Camões e o Jau (1856)
Prosa Poética

A virgem loura Páginas do coração (1857)
Romance

Carolina (1856)
Camila (inacabado) (1856)

Inspirações do Claustro, 1855
Contradições poéticas
Tratado de eloqüência nacional
Ambrósio


Noturnas - 1860
Vozes da América - 1864
Pendão Auri-verde - poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
Cantos e Fantasias - 1865
Cantos Meridionais - 1869
Cantos do Ermo e da Cidade - 1869
Anchieta ou O Evangelho nas Selvas - 1875 (publicação póstuma)
Diário de Lázaro - 1880

Dupla: Alice e Sarah Lorena


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Manuel Antônio Álvares de Azevedo, filho do doutor Inácio Manuel Álvares de Azevedo e dona Luísa Azevedo.
Pertenceu à chamada segunda geração do Romantismo brasileiro, influenciada pelo poeta Byron, cuja poesia se caracterizou pelo ultra-romantismo, subjetividade e pessimismo frente à vida.

Em todo o mundo, os integrantes dessa tendência romântica olhavam com desencanto para a vida e consideravam o sentimento do tédio como o "mal do século". Levavam vidas boêmias e desregradas, o que levou grande parte deles a contrair tuberculose.

Como antítese personificada pode-se entender o seguinte: uma antítese é uma idéia com temas opostos. Ou seja, uma antítese personificada é uma pessoa que tem opiniões distintas, idéias que são opostas.No livro, ele no inico fala algo e no final algo totalmente diferente.

Dupla: Alice e Sarah Lorena

OBRAS DE ALGUEM

- Fagundes Varela
Noturnas - 1860
Vozes da América - 1864
Cantos e Fantasias - 1865
Cantos Meridionais - 1869
Cantos do Ermo e da Cidade - 1869
Anchieta ou O Evangelho nas Selvas - 1875
Diário de Lázaro - 1880

- Casimiro de Abreu
Primaveras (1859)
Camões e o Jau (1856)
A virgem loura Páginas do coração (1857)
Carolina (1856)
Camila (inacabado) (1856)

- Junqueira Freire
Inspirações do Claustro, 1855
Contradições poéticas
Tratado de eloqüência nacional
Ambrósio

Antítese personificada

A antítese é uma figura de linguagem que consiste na exposição de idéias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. Álvaro de Azevedo é visto como uma antítese personificada, pois a Lira dos Vinte anos reside na contradição – talvez a contradição de si mesmo, que fazia com que ele próprio se sentisse como um adolescente, isso é muito mostrado na primeira e terceira parte do livro onde vemos um Álvares de Azevedo adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Já na segunda metade do livro,encontramos uma pessoas muito diferente daquela do começo. Fazendo assim Álvaro ter duas pessoas diferentes em si, por isso o nome antítese, para representar os dois Álavaros que se mostraram no livro e que são completamentes opostos.

Álvares de Azevedo



Álvares de Azevedo é um dos vultos exponenciais do Romantismo. Embora tenha morrido aos vinte anos, produziu uma obra poética de alto nível, deixando registrada a sua incapacidade de adaptação ao mundo real e sua capacidade de elevar-se a outras esferas através do sonho e da fantasia para, por fim, refugiar-se na morte, certo de aí encontrar a paz tão almejada. Grande leitor, Álvares de Azevedo parace ter "devorado" tantos os clássicos como os românticos, por quem se viu irremediavelmente influenciado. Embebedendo-se na dúvida dos poetas da geração do mal du siècle, herdou deles o pendor do desregramento, para a vida boêmia e para o tédio.

Contrabalança a influência de Byron com os devaneios de Musset, Hoffman e outros. Lira dos Vinte Anos, única obra preparada pelo autor, é composta de três partes. Na primeira, através de poesias como "Sonhando", "O poeta", "A T..." surge o poeta sonhador em busca do amor e prenunciando a morte. Nas poesias citadas, desfila uma série de virgens sonhadoras que ajudam a criar um clima fantástico e suavemente sensual. Por outro lado, em poemas como "Lembranças de morrer", ou "Saudades" surge o poeta que percebe estar próximo da morte, confessa-se deslocado e errante, deixando "a vida como deixa o tédio/ Do deserto, o poento caminheiro". A terceira parte de A Lira, praticamente é uma extensão da primeira e, portanto, segue a mesma linha poética.

É na segunda parte que se encontra a outra face do poeta, o poeta revoltado, irônico, realista, concreto que soube utilizar o humor estudantil e descompromissado. Esta segunda parte abre-se com um prefácio de Álvares de Azevedo que adverte "Cuidado leitor, ao voltar esta página!", pois o poeta já não é o mesmo: "Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico." Algumas produções maiores do poeta aí estão como "Idéias íntimas" e "Spleen e charutos", poesias que perfeitamente bom-humor, graciosidade e uma certa alegria. Deixa-se levar pelo deboche em "É ela!, É ela!, É ela!, É ela!" , em que revela sua paixão pela lavadeira; em "Namoro a cavalo", registrando as interpéries por que passa o namorado para encontrar sua amada que mora distante.

Resta lembrar que a obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher... Em "Lembrança de morrer", está o melhor retrato dos sentimentos que envolvem sua vida, tão próxima de sua obra poética: "Descansem o meu leito solitário/ Na floresta dos homens esquecida,/ À sombra de uma cruz e escrevam nela:/ - Foi poeta, sonhou e amou na vida."

francês Eugène Delacroix é considerado um pintor romântico por excelência. Sua tela A Liberdade guiando o povo (ao lado) reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que estrutura-se em um turbilhão de formas. O tema são os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade (retratados aqui por uma mulher carregando a bandeira da França). Esta é provavelmente a obra romântica mais conhecida.

Géricault viajou para a Itália, onde estudou profundamente as obras de Michelangelo e Rafael. Na volta, em 1817, o pintor iniciou aquela que seria sua obra-prima, A Balsa da Medusa (acima). Embora o tema do naufrágio seja coerente com o desespero romântico, o certo é que com este quadro Géricault fez-se eco da crítica ao regime, compadecendo-se dos sobreviventes e dos mortos no naufrágio ocorrido por culpa do governo. A doença, a loucura e o desespero passaram então a ser uma constante em seus quadros.

Rodin criou uma obra original que reflete vitalidade, seja na alegria ou no drama das personagens representadas. Preocupado com o significado e a força de cada gesto, conseguiu que cada fragmento de uma estátua se tornasse expressivo.

Goya cultiva magistralmente a pintura da imaginação, que dá passagem para o grotesco, para o fantástico e para o monstruoso da natureza humana.

Obras de Goya:
(1777) - Riña en el Mesón del Gallo
(1777) - El paseo por Andalucía
(1778) - La cometa
(1786) - La nevada
(1786-1787) - Cazador junto a una fuente
(1786-1787) - La vendimia
(1789 - Carlos IV de vermelho
(1795) - La Duquesa de Alba y la dueña ou La Duquesa de Alba y la "beata"
(1799) - Los caprichos
(1810-1820) - Los desastres de la guerra
(1814) - Los fusilamientos del tres de mayo
(1814) - Tres de mayo de 1808 en Madrid ou La carga de los mamelucos
La maja desnuda
La maja vestida
(1815) Los disparates
Saturno devorando a un hijo
El Aquelarre

Obras de Augueste Rodin:

“O pensador” (1880), ”O beijo” (1886), “Os cidadãos de Calais” (1886) e “O filho pródigo” (1889).
Ele fazia esculturas, geralmente com caracteristicas românticas.


Obras de Theodore Géricault:
A balsa da Medusa, Mus. do Louvre - Paris
Dois justiçados, Mus. Nacional - Estocolmo
Captura de um cavalo bravo, Mus. das Belas-Artes - Rouen
O derby de Epson, Mus. do Louvre - Paris

Obras de Eugène Delacroix:
O Massacre de Quios, (1824).
A Liberdade Guiando o Povo (1830), Museu do Louvre - Paris
A barca de Dante, (1822), Museu do Louvre - Paris.
Mulheres de Argel, (1834), Museu do Louvre - Paris.
A tomada de Constantinopla pelos cruzados, (1840), Museu do Louvre - Paris.
Batalha de Poitiers, (1830), Museu do Louvre - Paris.
Triunfo de Baco, (1861) Mulher com papagaio, (1827), Museu de Belas Artes de Lyon

Dupla: Alice e Sarah Lorena